06 janeiro, 2011

E o Belas Artes...



Foi em janeiro de 2008, a primeira vez que entrei no Belas Artes. Pela primeira vez na vida, entrava em um cinema de rua.

Tinha ido assistir Paranoid Park. Naquela mesma semana, voltei ao cinema mais duas vezes, para assistir ao mesmo filme.

Ótimo filme, lugar agradável.

Estava de passagem em São Paulo, ficando na cidade só pelo mês de janeiro; mês durante o qual voltei mais algumas vezes ao Belas Artes.

Em 2009, me mudei definitivamente para a cidade e dai, então, são varias as lembranças.

Lembro de Seymour Hoffman brilhante em Synedoche, lembro de alguns mais do mesmo de Woody Allen, lembro, também, de Sophia Loren e Mastroianni, dançando na privacidade de um pequeno apartamento, sob o regime fascista, ou Mastroianni, grotesco, em sua Comilança.

A Infância de Ivan, vi numa cópia terrível, mas ainda assim, vi Tarkovsky em um cinema, vi no Belas Artes.

Lembro de tantos ônibus que peguei na Angélica, sob chuva, e desci na Consolação, à porta do cinema. E o povo todo se espremia dentro do saguão, longe da chuva. Alguns apenas se refugiando. Outra grande maioria, esperando a sessão começar.

Lembro de reclamar das duas salas que tinham suas fileiras, todas, no mesmo nível.

Não lembro, jamais, de reclamar da programação.

Se tinha medo que um filme de exibição rara, possível somente no Belas Artes, fosse esgotar, chegava umas duas horas antes da sessão. Tomava um café no balcão e lia alguns artigos no mural de jornais.

E assim são as coisas.

Como no filme de Van Sant, aquele que foi meu primeiro no Belas Artes, de cenas belas, suaves e contemplativas, o Belas Artes, que logo não será mais, ficará na memória dessa mesma maneira; um lugar onde se podia contemplar, suavemente, a raridade que é o bom cinema.

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